Tema: Liberdade e Paz pelo Bhagavad Gita

Textos para reflexão...

 

1.       O verdadeiro Ser vive sempre. Assim como a alma incorporada experimenta infância, maturidade e velhice dentro do mesmo corpo, assim passa também de corpo a corpo – sabem os iluminados e não se entristecem. (26:13)

2.       Quando os sentidos estão identificados com objetos sensórios, experimentam sensações de calor e de frio, de prazer e de sofrimento – estas coisas vêm e vão; são temporárias por sua própria natureza. Suporta-as com paciência! Mas quem permanece sereno e imperturbável no meio de prazer e sofrimento, somente esse é que atinge a imortalidade. (26:14-15)

3.       O que é irreal não existe, e o que é real nunca deixa de existir. Os videntes da Verdade compreendem a íntima natureza tanto disto como daquilo, a diferença entre o Ser e o parecer. (26:16)

4.       O Eu nunca nasceu nem jamais morrerá. E, uma vez que existe, nunca deixará de existir. Sem nascimento, sem morte, imutável, eterno – sempre ele mesmo é o Eu, a Alma. Não é destruído com destruição do corpo material. Quem sabe que a alma de tudo é indestrutível e eterna, sem nascimento nem morte, sabe que a essência não pode morrer, ainda que as formas pereçam. (26:21-22)

5.       Trabalho sem a verdadeira compreensão e a consciência de Deus torna-se causa de escravidão. Por isto, ó príncipe, guia-te pela razão pura oriunda da visão do Eu. Os que trabalham com apego aos frutos da sua atividade são deploráveis mercenários utilitaristas. (26:49)

6.       Pelo que, realiza o teu trabalho, para que aconteça o que deve acontecer, mas age sem apego nem interesse. Assim atingirás o Ser Supremo e entrarás na perfeita quietação. (27:19)

7.       Toda ação que não for praticada como um ato de culto divino redunda em escravidão. Pelo que, Arjuna, sê livre do apego e pratica os teus atos como um culto divino! Sejam as tuas atividades atos de adoração. (27:9)

8.       Quem a tudo renuncia, jubiloso, alcança, já agora, a mais alta paz do espírito; mas quem espera vantagem das suas obras é escravizado por seus desejos. (29:12)

9.       Quem pensa sempre em objetos sensórios apega-se a eles; desse apego nasce o prazer e o prazer gera inquietação. A inquietação produz ilusão: a ilusão destrói a nitidez da discriminação; e, uma vez destruída a discriminação, esquece-se o homem da sua natureza espiritual - e com isto vai rumo ao abismo. (26:62-63)

10.    Mas o homem que possui domínio sobre o mundo dos sentidos e da mente, sem odiar nada nem se apegar a nada, orientado pelo Eu central, esse encontra a paz. Essa paz neutraliza todas as inquietações, e o homem que goza de paz goza verdadeira beatitude – e acaba por superar também os males externos. (26:64-65)

11.    Impossível a aquisição de sabedoria pela mente descontrolada; impossível a meditação para o homem inquieto! E, se o homem não encontrar a paz dentro de si, como pode ser feliz? O homem sem domínio sobre sua mente e seus sentidos é como um navio levado à mercê das ondas. (26:66-67)

12.    Pela prática da abstenção pode alguém amortecer os seus sentidos e torná-los insensíveis aos prazeres sensitivos; mas não se torna necessariamente insensível aos desejos dos mesmos; o desejo dos prazeres sensitivos cessa somente quando o homem entra em contato com o Espírito Supremo dentro dele. (26:59)

13.    Quem é externamente inativo, mas cede a desejos internos, esse se ilude a si mesmo. Mas aquele que, pelo poder do Espírito, alcançou domínio sobre seus sentidos e realiza todos os atos externos, ficando internamente desapegado deles – esse homem possui sabedoria. (27:6-7)

14.    Quando o homem é perfeitamente liberto de todos os desejos do ego finito e alcançou a paz pela realização do Eu divino, então é um homem de perfeita sabedoria. (26:55)

15.    Quando alguém permanece calmo e sereno no meio de sofrimentos, quando não espera receber do mundo permanente felicidade e quando é livre do apego, medo e ódio – então é ele um homem de perfeita sabedoria. (26:57)

16.    Livre de todos os desejos, é o homem senhor, e não servo dos prazeres; livre de propriedade, une-se ele com o Todo e encontra a paz verdadeira. (26:71)

17.    Os que não oferecem sacrifícios neste mundo, ó príncipe, nada têm que esperar, nem neste mundo nem no outro. O sacrifício da meditação é melhor que o sacrifício de bens materiais. O valor de todas as atividades culmina na experiência do Eu Supremo. Isto se consegue por meio de humildade, devotamento e serviço. (28:31-34)

18.    O reino da quietude que os sábios conquistam pela meditação é também conquistado pelos que praticam ações; sábio é aquele que compreende que essas duas coisas – a intuição mística e a ação prática – são uma só e mesma coisa. (29:5)

19.    Quem vive na luz da verdade vê Deus em todos os seres - no brâhmane e no cão, no elefante e na vaca, e até no desprezado pária. Os que estão firmes na luz da verdade venceram o mundo, já aqui na terra, pela fé na harmonia universal; porquanto Brahman transcende todas as condições da dualidade, habitando na suprema unidade - quem o conhece repousa em Brahman. (29:18-19)

20.    Ele sabe que eu sou a Essência em todas as existências; eu, o Imanifesto em todos manifestos; eu, a suprema e imutável Realidade em todos os mundos em incessante mutação; eu, refúgio e proteção de todas as criaturas. Quem isto sabe encontrou a paz. (29:29)